Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Um coração sem dimensão!

E são estas pessoas que me emocionam pela capacidade que têm de amar...

 

Destaque para este artigo de Costa Guimarães, in Correio do Minho

 

A excepção de Coucieiro

Há alguns dias foi notícia, cinco anos depois, a acusação contra um casal de agricultores de Coucieiro, que mantinham um jovem como escravo há vinte e cinco anos.

As análises e comentários ao caso desviaram-se para o simplismo, a começar pela lentidão da Justiça em formular a acusação contra aquele casal e a acabar na indiferença dos vizinhos que toleraram aquela situação de cativeiro durante duas décadas e meia.

Neste começou de semana, convidamos a olhar a outra faceta bem positiva deste caso, a começar pela gesto fantástico da família que acolheu o Rui Manuel.

Trata-se de uma atitude que contrasta com a generalizada mas comezinha atitude bem nossa que leva cada um a olhar pela sua vidinha embora seja bem minhoto falar da vida dos outros, dizer contos e acrescentar-lhe um ponto...

Foi essa forma de estar na vida que escondeu o intolerável e quando os vizinhos revelam alguns pruridos em falar desta questão, estamos a avaliar as dificuldades do Ministério Público em encontrar quem testemunhasse e desse consistência à acusação.

Ora, quando todos os dedos indicadores acusam o casal de primos do Rui Manuel, sobram quatro dedos em cada mão para acusar esta forma de “olhar cada um pela sua vida”...

É porque existe ainda quem não se limite ao mínimo, a olhar pela sua vidinha, que o Rui Manuel anda agora na Escola e deixou de comer e fazer as necessidades num balde.

É porque houve um casal que não tem pruridos em abordar o tema que o Rui Manuel tem as vacinas em dia e pode ouvir a professora elogiar-lhe a bonita caligrafia.

É porque existe uma família de acolhimento que o Rui Manuel já foi ver o mar com o corpo sem feridas e está a ser tratado a uma gastrite crônica.

É porque houve uma família como a de Rosa Mota que o Rui Manuel agora consegue fazer a coisa mais simples de um homem: sorrir no presente mesmo que o inferno do vivido ainda faça cair lágrimas do sofrimento.

É porque existe uma família com esta beleza que deve ser combatida essa comezinha atitude minhota que leva cada um a olhar pela sua vida ou então a fazer como o Rui, a regressar à escola dos valores para aprender a escrever a solidariedade como alicerce da vida.

É porque houve uma família que ousou saltar os muros da quinta da indiferença para cumprir o dever de acolher alguém sem os direitos fundamentais do ser humano.

 

notícia aqui...www.correiodominho.com/cronicas.php



publicado por StrangerMe às 11:05
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