E são estas pessoas que me emocionam pela capacidade que têm de amar...
Destaque para este artigo de Costa Guimarães, in Correio do Minho
Há alguns dias foi notícia, cinco anos depois, a acusação contra um casal de agricultores de Coucieiro, que mantinham um jovem como escravo há vinte e cinco anos.
As análises e comentários ao caso desviaram-se para o simplismo, a começar pela lentidão da Justiça em formular a acusação contra aquele casal e a acabar na indiferença dos vizinhos que toleraram aquela situação de cativeiro durante duas décadas e meia.
Neste começou de semana, convidamos a olhar a outra faceta bem positiva deste caso, a começar pela gesto fantástico da família que acolheu o Rui Manuel.
Trata-se de uma atitude que contrasta com a generalizada mas comezinha atitude bem nossa que leva cada um a olhar pela sua vidinha embora seja bem minhoto falar da vida dos outros, dizer contos e acrescentar-lhe um ponto...
Foi essa forma de estar na vida que escondeu o intolerável e quando os vizinhos revelam alguns pruridos em falar desta questão, estamos a avaliar as dificuldades do Ministério Público em encontrar quem testemunhasse e desse consistência à acusação.
Ora, quando todos os dedos indicadores acusam o casal de primos do Rui Manuel, sobram quatro dedos em cada mão para acusar esta forma de “olhar cada um pela sua vida”...
É porque existe ainda quem não se limite ao mínimo, a olhar pela sua vidinha, que o Rui Manuel anda agora na Escola e deixou de comer e fazer as necessidades num balde.
É porque houve um casal que não tem pruridos em abordar o tema que o Rui Manuel tem as vacinas em dia e pode ouvir a professora elogiar-lhe a bonita caligrafia.
É porque existe uma família de acolhimento que o Rui Manuel já foi ver o mar com o corpo sem feridas e está a ser tratado a uma gastrite crônica.
É porque houve uma família como a de Rosa Mota que o Rui Manuel agora consegue fazer a coisa mais simples de um homem: sorrir no presente mesmo que o inferno do vivido ainda faça cair lágrimas do sofrimento.
É porque existe uma família com esta beleza que deve ser combatida essa comezinha atitude minhota que leva cada um a olhar pela sua vida ou então a fazer como o Rui, a regressar à escola dos valores para aprender a escrever a solidariedade como alicerce da vida.
É porque houve uma família que ousou saltar os muros da quinta da indiferença para cumprir o dever de acolher alguém sem os direitos fundamentais do ser humano.
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